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15 de janeiro de 2008

Cadeião, São Pedro de Alcântara e Pica-Paus demagogos.

Antes que confundam nomes e pessoas por causa do título do meu blog (Cirque du Lelé), sou Filipi e herdei o apelido "Lelé" de meu pai, Salézio. Meu pai é político e bastante conhecido por todo o estado e é carinhosamente conhecido como Lelé por seus eleitores e amigos. Devido a alta incidência do nome dele por aí acabei ficando conhecido também como Lelezinho ou simplesmente Lelé. Os textos e idéias expressas aqui são de minha autoria e em algumas vezes podem ir em desencontro às de meu pai. Não confunda nem atribua a ele as coisas que escrevo.
Quem me conhece pessoalmente sabe que sou natural de uma cidadezinha vizinha a Florianópolis chamada São Pedro de Alcântara. Se você está pensando "hmm, já ouvi falar desse lugar", deve ser das aulas de história de Santa Catarina - São Pedro é a primeira colônia alemã de SC .

Pois bem, o Governo do Estado (por intermédio do senhor Luiz Henrique da Silveira e do não menos insano senhor Ronaldo Benedett) teve a infeliz idéia de colocar um centro de triagem prisional na quirida São Pedro. Esse centro de triagem, sendo "carinhosamente" chamado de "Cadeião" - diferente do presídio de segurança máxima que existe hoje na cidade - vai levar para lá infratores de todo o tipo e, pela natureza das suas funções - também diferente do presídio de segurança máxima - vai criar um ambiente bastante hostil e inseguro para a pacata população alcantarense.

A criação desse estabelecimento em São Pedro de Alcântara é inconstitucional pois a cidade não é sede de comarca. Mesmo assim os desvairados donos do poder estadual querem a todo custo empurrar à São Pedro essa mancha, provavelmente pelo baixo impacto eleitoral que terão (São Pedro possui algo em torno de 4 mil eleitores, muito diferente dos milhares eleitores das cidades de São José, Palhoça e Florianópolis).

Todo esse "rolo" tem dado o que falar, e um dos apoiadores da causa tem sido o jornalista Carlos Damião. Discussões calorosas tem acontecido no blog dele, que está sendo um dos principais meios de levar a público o que está acontecendo em São Pedro.

Há pouco Damião colocou esta nota no seu blog:
"Outra fonte me garantiu, ontem, que o governo está perto mesmo de desistir do cadeião em São Pedro de Alcântara. Mas a fonte também me informou que certas autoridades estão furiosas, porque consideram o povo de SPA muito "atrevido e encrenqueiro". Ora, pois, que elas [as autoridades] saibam: quem governa de costas para o povo recebe, no devido tempo, o devido castigo. [E nem sou eu quem diz isso, é Maquiavel, numa tradução minha para um português bem objetivo]."
Eu já havia criticado por um comentário naquele blog a agitação que os políticos da minha cidade tem feito. Em especial o senhor Ernei Stahelin, prefeito da cidade, e o senhor Roberto Stahelin, vereador. Acontece que ambos são do PMDB, que por mera coincidência é o mesmo partido do senhor governador.

Veja só como funciona as coisas. Os peemedemistas de São Pedro (carinhosamente conhecidos na cidade como Pica-Paus) não dialogam com os peemedebistas do governo estadual. Seria falta de poder político ou amadorismo dos alcantarenses? Bom, tanto faz. E num ato demagógico de heroísmo politiqueiro e populista se amarram em correntes no local onde pretendem construir o "Cadeião", usam o povo, que leva suas crianças pra rua para ostentarem cartazes para tirar foto pro jornal, se dizem os defensores da cidade.

Mal percebem o problema que podem estar fazendo. A nota postada no blog do Damião deixa claro que os peemedebistas do estado estão furiosos. Mas é obvio que não é com o povo e suas manifestações. Eles estão cansados de ver pessoas fecharem a SC401 em frente ao centro administrativo cobrando ações. Não se irritariam pela manifestação feita em São Pedro. Estão furiosos mesmo é com o governo alcantarense, que imaginavam ser seus aliados, colegas de partido e de ideologia. Estão furiosos porque jogaram a administração estadual contra o povo e contra a mídia sendo que poderia haver outras vias de negociação. Mas como as eleições estão aí, nada como um fato populista de relevância para mostrar para a população que os Pica-Paus "estão do lado do povo".

Acho interessante ressaltar que não considero ilegítmo o fato dos Pica-Paus agitarem a população para impedirem o Cadeião. É uma das formas mais efetivas de se obter o sucesso político (Lula e o PT que o diga). Deu resultado sim e o governo está dando pra trás com sua idéia maluca de fazer em São Pedro o centro de triagem. Mas me envergonho em ver os representantes políticos de São Pedro "usarem" o povo descaradamente num ato politiqueiro, me envergonho em saber que os detentores legítimos do poder público municipal não tem poder e influência nenhuma com seus colegas de partido.

Coloquei o "estão do lado do povo" entre aspas porque tenho medo da represália que pode vir por parte do governo estadual, uma vez que São Pedro não gera renda o suficiente para manter os serviços básicos oferecidos pela prefeitura - necessitando sempre da "ajuda" dos governos do estado e da federação. Um simples corte de recursos pode comprometer todos esses serviços que, como na maioria das cidades desse meu Brasil, não são suficientes nem satisfatórios. O feitiço pode virar contra o feiticeiro e o que eles dizem hoje ser pro bem da população (sair e fazer agito em frente as câmeras da imprensa) pode se tornar a fonte da falta de recursos, por uma simples guerra de egos política.

Mais uma vez, não acho o ato ilegítmo mas acho que existiam outras formas de se resolver o problema sem por em risco os serviços oferecidos ao povo.

E cagada feita é cagada que deve ser assumida. Espero que o povo alcantarense não sofra mal algum e que justiça seja feita nas próximas eleições. Só penso que São Pedro precisa de homens mais fortes para resolver os problemas políticos da cidade.

13 de janeiro de 2008

Clube da Luta no Parque Planeta

Escrevo direto do Open Bar, em Balneário Camboriú, onde em algumas horas vai rolar mais um show com os nossos parceiros de Itajaí, Ninguém Sabe. Taí uma boa dica para os bares de Floripa: internet grátis.

Enquanto ainda há alguns minutos antes de começar o trabalho do rock n' roll, vou aproveitar pra deixar as impressões que tive da apresentação das bandas do Clube da Luta no palco Kzuka, ou como diria Jean Mafra, no palco Kzuza, no Planeta Atlântida de 2008.

Tive acesso ao planeta como imprensa, sendo parte da equipe do site Tô Puto, no qual escrevo à quase 2 anos. Meu compromisso era falar sobre a Maltines e sobre a Samambaia Sound Club então falarei aqui apenas destas, até pra não deixar este post longo demais. Para saber sobre as outras bandas, acesse o Tô Puto e veja os comentários da Nina, da Vivien, do Maykon, da Sarinha e da Lígia.

A Samabaia pisou no palco logo depois do polêmico show da Tijuquera, que aliás, escancararam tocando de fraudas. Deixaram a galera quente e prontinha pra rebolar ao som sexy e atrevido de Jean Mafra, Tiago, Jaguarito, André Guesser e Daniel, que, na minha opinião, fizeram o melhor show da noite... disparado.

Na voz de Jean Mafra, disfarçado de diabinho alado de pernas fininhas (porque anjos não agradecem pelas transas no camarim antes do show), fizeram os discursos mais condizentes sem deixarem de ser polêmicos ao estilo SSC e pregaram também algumas surpresas (pelo menos pra mim) como a reileitura do grooveada de MC Leozinho. Quem não estava acostumado às performances atrevidas da Samambaia, com certeza ficaram admirados e levaram algumas boas lembranças pra casa. Quem já conhece aquela putaria toda pelo menos revisou seus pré-conceitos Samambianos. Fizeram um show impecável, do figurino à performance, deram um banho. Pra entender melhor, só vendo as fotos (no Tô Puto) e os vídeos (no site do Kzuka - se colocarem como prometido... até terminar este texto, não havia nada lá).

A Maltines teve de contar com um público reduzido se compararmos com Tijuqueira ou Samambaia. Mas nem por isso menos empolgante e diveritido. Minha teoria é o horário, que já se avançava. Até no palco alternativo, onde rolava Armandinho Tramandaí (bleh) o público era diminuto.

Fizeram um show ao mesmo tempo tenso e elétrico. A doçura da voz da Lígia misturada com a acidez das guitarras do Jiva deram o tom do show da banda mais comentada pela mídia especilizada catarinense no final de 2007. Fazia um bom tempo que não os via juntos num palco pois estão gravando o disco que espero ter em breve, muito em breve, nas minhas mãos e no meu CD player. Tocaram músicas que pra mim eram novidades como a canção "Maus Costumes" e exploraram uns recursos bem legais nas vozes.

Mas o ponto alto do show foi mesmo a última música, onde como num ato de despedida do evento todos os músicos e produtores do Clube da Luta presentes subiram no palco para cantar a música "Depois de um tempo", que era a saideira da Maltines e do Clube no palco Kzuka.

Além destas duas bandas rolou uma porção de outros fatos e músicas interessantes, e meus colegas vão deixar detalhes pra vocês la no Tô Puto. Convido também a darem uma olhada no Diário Catarinense de segunda e no Blog no Marquinhos, que fez uma cobertura emocionada do negócio todo.

Curti esse negócio de imprensa num festival do naipe do Planeta. Tive acesso a alguns lugares e pessoas que me inspiraram em uma porção de coisas, além de fomentar várias idéias para serem aplicadas no Rural Rock Fest.

11 de janeiro de 2008

Mané Paulo abre suas portas pra você...

Depois da expectativa criada desde dezembro do ano passado, iniciaram ontem (10/01/08) as atividades de uma das mais promissoras casas para a promoção da cultural aqui na Ilha de Santa Catarina: a "Célula Cultural Mané Paulo" (CCMP) ou "bye bye Brasil".

O nome é grande e, como a Vivi (minha namorada) comentava com suas amigas ontem lá na inauguração do espaço, imaginamos que o nome que vai pegar mesmo é "Célula". Vamos ver o que o tempo vai dizer. O "bye bye Brasil" é inspirado no filme com o mesmo nome, um dos mais importantes da década em que a Betty Faria ainda era gostosa e o José Wilker nem parecia velho. Esse filme teve algumas cenas gravadas nesta bela ilha, que na época ainda não era um amontoado de prédios e asfalto.

A CCMP é idealizada e tocada pelo pessoal da banda Tijuquera (o nome Mané Paulo é uma referência e uma homenagem ao patriarca de um dos músicos da banda) e com forte influência do Clube da Luta. A partir de agora será a nova sede desse que é o mais importante movimento da música florianopolitana e será um lugar para dar espaço a todos que querem produzir cultura nesta terra.

O ambiente é bem agradável e muito bonito. Decoração toda muito ligada ao trabalho da Tijuquera e do Clube da Luta, que por sua vez tem tudo haver com Florianópolis e a cultura daqui. Ambientes separados para fumantes e não fumantes. Palco grande e confortável. Nesta primeira noite, atendimento muito bom e cerveja sempre gelada. Só acho que no verão vai fazer falta mais alguns ventiladores, tá aí a minha dica.

Na inaguração já rolou som com a prata da casa: Andrey e a Baba do Dragão de Komodo, Tijuquera e RC5. E na semana que vem já começa o fervo. Dá uma conferida no primeiro Clube da Luta que vai rolar lá na Célula:

Já tô acioso pra fazer um rockzinho lá.

Amanhã... Planeta Atlântida no Clube da Luta

Clica na foto pra vê-la no seu tamanho natural (mais legível).

9 de janeiro de 2008

8 de janeiro de 2008

Eficiência

Mal deu tempo de comemorar o fim da CPMF e o governo, contra a sua promessa, já veio metendo a faca, ou melhor, metendo a mão no bolso do contribuinte.

É um tanto obvio que quem vai pagar por esse aumento é o cidadão, como sempre acontece. Esta notícia da Folha On-line diz que só o aumento do IOF vai pesar em média R$ 45,00/ano no bolso de cada brasileiro. Bem melhor que a CPMF, que pesava R$ 200,00 / contribuinte-ano, mas mesmo assim é um aumento desnecessário. E olha que não sou o único que pensa desta forma.

A solução pro problema brasileiro é começar a governar pensando em eficiência nos seus serviços, ou seja, fazendo o bom uso do dinheiro aplicado. Todos nós sabemos que tem gente a rodo ganhando muito pra fazer NADA nos escritórios governamentais espalhados pelo Brasil (e gastam seu tempo usando o telefone ou a internet financiada por nós). Sabemos também que tem muita gente superfaturando e passando a perna no dinheiro do povo. Resolvendo estes problemas já faria sobrar dinheiro suficiente para todas as contas públicas e para os projetos sociais de todos os governantes. Mas cadê a ação? Cadê o controle?

Notícias de cortes como esta, da Folha on-line, estão pipocando em todos os portais na internet. Eu as vejo com bons olhos, apesar de algumas pessoas poderem entendê-las como um retrocesso. "Ah, estão deixando de gerar emprego, de matar a fome de uma família". Mas não é bem assim. Em parte dos casos, o aumento de pessoal não é justificável, isto é, é cabide de emprego. Nesses e em muitos outros casos, poderia-se usar alternativas mais baratas e eficientes para resolver o problema como remanejamento e replanejamento da força já existente. Assim se evitaria casos em que duas pessoas fazem o trabalho que apenas uma poderia fazer tranquilamente. Se fizessem dessa forma em tudo que fazem, muitos poderiam estudar e ter atendimento médico de qualidade.

É revoltante saber que, em algumas cidades chega a, 3 horas, repito, 3 horas! a média de horas trabalhadas diariamente por um servidor público. Isto é, paga-se para ele trabalhar 8 horas, mas ele trabalha apenas 3! 37% de produtividade! É natural que não se atinja 100% pois não somos máquinas, mas 37% é um abuso.

Eficiência... é uma dose desse remédio que o senhor Lula e sua equipe precisam. Mas enquanto eles se auto-medicam com aumento da carga tributária, quem sente as dores somos nós aqui...

7 de janeiro de 2008

Não és dono do disco rígido do teu próprio mac.

Sempre deu pano pra manga essa história de licenças no ramo da computação. As licenças de software são os contratos mais bizarros e esquisitos que existem. E nessa história de ir avançando os passos do instalador sem ler as coisas que aqueles textos enormes dizem, acabamos nos amarrando em compromissos absurdos e extremamente comprometedores.

Este texto do blog do professor De Lucca mostra uma dessas loucuras promovida pela Apple. Segundo ele, "a licença de uso (!) do equipamento (na verdade, o contrato de garantia e manutenção [do machintosh]) não dá direito ao proprietário de manter o disco rígido em caso de pane e substituição do mesmo."

Até pouco tempo, nas licensas da Sun sobre o Java, diziam que o programador não era dono do seu próprio código se ele fosse escrito em Java.

Sei que também acontece muita distorção e boatos com esses causos de licensas de uso. Mas "sempre é bom saber em que botão você vai clicar com o mouse".

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